Edição 307 - Jul/Ago 2018

Testes comparam a performance de tênis esportivos

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No mais recente comparativo de performance de tênis esportivos publicado pelo guia de equipamentos Go Outside, cujo lançamento aconteceu em novembro de 2017, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) foi convidado para realizar as avaliações biomecânicas com a finalidade de medir o nível de performance oferecido por 32 modelos de diferentes marcas, tendo como base dois testes funcionais - um referente ao nível de absorção do impacto e outro para medir a distribuição da pressão plantar.

O coordenador do Laboratório de Biomecânica do IBTeC, Ms. Eduardo Wüst, explica que este tipo de comparação é comum em publicações especializadas em práticas esportivas, porém é a primeira vez no Brasil que os resultados se baseiam em metodologia científica, com as medições realizadas por um laboratório independente. "Cada publicação usa uma metodologia própria, sendo que a prática comum é a realização de testes subjetivos, que levam em conta exclusivamente a percepção de calce de um único usuário, sem que se tenha qualquer embasamento científico nesse processo comparativo", destaca o pesquisador.

As revistas especializadas costumam manter em seus bancos de dados listagens com os nomes e contatos de praticantes de diversas modalidades esportivas. Para fazer seus guias comparativos, escolhem um dentre os que praticam o esporte para o qual os calçados a serem testados são oferecidos (corrida de longa distância, caminhada etc.). O atleta selecionado recebe da revista os pares enviados pelas empresas participantes e utiliza cada um dos calçados por um tempo pré-determinado. Após o uso preenche uma ficha de avaliação sobre cada modelo utilizado. De posse das respostas fornecidas pelo usuário, a realizadora da pesquisa classifica os calçados numa série de quesitos, mas sempre a partir de uma avaliação qualitativa, levando em conta exclusivamente a experiência pessoal de uso. "Uma característica desses testes é que os atletas também não passam por qualquer tipo de avaliação física, e muito menos sobre as características dos seus pés, e isso pode interferir nos resultados", contextualiza Wüst. Foi a partir desta realidade que o IBTeC, por iniciativa do próprio coordenador, entrou em contato com a Go Outside, e então se estabeleceu o convite para a realização do teste até então inédito no País neste formato.

Metodologia

Todas as tratativas com as empresas que aceitaram participar deste teste comparativo foram feitas pela Go Outside. Foram definidas cinco categorias de tênis (Trilha, Amortecimento, Performance, Estabilidade e Minimalista) e cada empresa teve a liberdade de escolher em quais destas desejava participar, enviando um modelo a ser avaliado para cada categoria selecionada. A partir dessa definição os calçados foram enviados para o Laboratório de Biomecânica do IBTeC, onde foram realizados dois testes biomecânicos em cada um deles: Acelerometria Tibial e Distribuição de Pressão Plantar.

Para cada categoria o tênis tem uma finalidade específica, e o resultado obtido pode ser melhor ou pior levando-se em conta essa finalidade. Tomamos por exemplo um tênis cujos resultados apontam para um amortecimento de 50% do impacto durante a passada: se era um modelo de Amortecimento o desempenho foi ótimo, porém se era um tênis de Performance este amortecimento todo não vai ser funcional para a finalidade a que ele se destina. Pois, neste caso, é preciso ter pouco amortecimento para que o atleta e obtenha uma resposta rápida de impulsão. Este tipo de relação foi observado em todas as categorias.

Os testes foram realizados no período de 17 de julho a 15 de agosto de 2017, com a participação de oito corredores cadastrados junto ao laboratório do IBTeC e todos eles usaram todos os calçados (três modelos foram testados na categoria Trilha, nove na Amortecimento, 10 na Performance, seis na Estabilidade e quatro na Minimalista). Após os testes os resultados foram tabulados e repassados para a revista, que criou um sistema próprio de apresentação dos resultados através de pontuações (Go Outside Guia de Equipamentos - Ed. 146 - novembro de 2017).


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